Laboratório de Conservação e Restauração

Os museus de arte têm a função de guardar e mostrar coleções de obras e objetos de arte, para que possam ser admiradas por todos, e sabem como conservar e restaurar essas obras, preservando-as para as gerações futuras.

O Museu Oscar Niemeyer possui um setor especializado nesse trabalho: o departamento de Acervo e Conservação. Ele é responsável pelo estado de conservação das obras de arte, um fator de extrema importância para o Museu e para toda comunidade - a conservação é determinante para o significado e a relevância artística das peças.

No MON, o setor Acervo e Conservação é dividido em três áreas: a Museologia, a Reserva Técnica e o Laboratório.

Museologia

É responsável pela organização das exposições temporárias que acontecem no Museu e pela curadoria de todas as exposições com obras do acervo, sejam elas realizadas internamente ou itinerantes.

O trabalho do curador envolve a escolha do artista e do tema da exposição, o direcionamento da produção, o planejamento do espaço expositivo, as definições de luz, umidade e temperatura, a quantidade de obras a serem expostas, a apresentação das obras e muitos outros aspectos.

A Museologia também conta com um historiador, que pesquisa e reúne diversas informações sobre uma exposição: as obras, o artista, outras exposições já realizadas. Estas informações são cadastradas em um sistema especial. Elas fazem parte da memória de cada exposição, que contém ainda os documentos do processo burocrático, técnico, materiais de divulgação, etc. Parte dessas informações está disponível para consulta no Centro de Documentação e Pesquisa.

Reserva Técnica

A reserva técnica abriga o coração do Museu: seu acervo. No MON, são mais de 3.000 obras de artistas importantes no cenário nacional e internacional, que provém em parte do Museu de Arte do Paraná – MAP e Banestado e da coleção Bozano, ou foram doadas e adquiridas.

As obras podem ser vistas pelo público em exposições do acervo, realizadas dentro do MON ou em outros museus. E sempre que uma obra deixa a reserva técnica, mesmo para uma exposição interna, é preciso seguir um rígido controle de segurança que envolve, entre outros processos, a autorização de saída e um laudo técnico com as condições de conservação da obra.

No transporte, as obras são manuseadas por montadores especializados, em equipes formadas por pessoal interno do MON e funcionários terceirizados. São profissionais treinados para essa função, que usam máscaras e luvas para não danificar nenhuma peça.

O cuidado no transporte é o mesmo quando o MON recebe exposições vindas de outros museus. As obras vêm em transportadoras especiais, em compartimentos revestidos e climatizados. Os veículos que fazem esse transporte muitas vezes são acompanhados por batedores e possuem radar e sistemas de comunicação via satélite.

É pela eficiência na segurança e no transporte das obras que o MON está preparado para receber exposições do mundo inteiro, proporcionando aos visitantes a oportunidade de admirar as obras mais representativas de grandes artistas.

Reserva TécnicaReserva Técnica

Laboratório

Este setor é responsável pela higienização, conservação, restauro e acondicionamento das obras de arte do Museu, tanto as do acervo quanto das exposições temporárias e permanentes. Para isso, o Laboratório conta com modernos equipamentos, que fazem do MON uma referência no trabalho em peças de papel, pintura e escultura.

É o Laboratório que define as condições em que as peças serão expostas, para garantir sua segurança e conservação. Algumas obras, por exemplo, não podem ser tocadas, porque mesmo mãos limpas possuem gordura. Ao tocarmos uma peça, a gordura se acumula na sua superfície, atrai sujeira e pode provocar fungos. Se ela não for resistente, poderá se deteriorar.

Equipamentos como o termohigrógrafo e termohigrômetro permitem verificar e controlar a umidade e temperatura do ambiente do acervo ou de exposição. Uma variação muito brusca nestes dois índices pode provocar grandes danos em uma obra de arte.

A luz também precisa ser controlada. Filtros ultravioleta são colocados nas lâmpadas e nos vidros para evitar o envelhecimento precoce em obras feitas com materiais orgânicos, como papel, tela ou madeira.

Outro equipamento importante no Laboratório é o microscópio. Ele permite identificar se a obra tem algum fungo, se está craquelada (com rachaduras) e a profundidade da rachadura.

Se uma obra de arte estiver danificada, é preciso restaurar. Este processo envolve diversas técnicas, que dependem do tipo e da extensão do dano. No passo-a-passo abaixo você pode entender como funciona a restauração de uma pintura a óleo em tela de tecido.

Etapas do processo de restauração

Exame visual da frente e do verso da obra, para identificar seu estado de conservação. A cor está desbotada? Tem sujeira, rasgos ou craquelamento? A pintura descascou?

Fixação da pintura por meio de diversos procedimentos, temporários e permanentes, para que a obra não se danifique durante o restauro.

Proteção da camada de pintura com resina acrílica para não sofrer danos durante o processo de retirada de moldura e chassi.

Retirada do reentelamento: se a obra sofreu restauração anterior, pode haver um tecido colado à tela. Esse tecido é rasgado e retirado em movimentos concêntricos, para que a tela não sofra pressão excessiva e possível craquelamento ou outros danos.

Planificação: é feita para evitar abaulamentos. O processo é realizado na mesa de calor, com a tela em chassi provisório envolvida à vácuo por filme plástico resistente ao calor e solventes. O calor deixa a tela mais maleável e o vácuo auxilia na planificação, até o resfriamento.

Reentelamento: é necessário para aumentar a resistência da tela original de algodão. Um tecido é colado com adesivo na tela; os dois são envelopados e colocados na mesa de calor para planificação.

Limpeza: é feita manualmente com o isopo, um instrumento formado por um palito de madeira com ponta revestida de algodão. O isopo é embebido em solvente para retirada do verniz antigo, sujidades e outros produtos.

Colocação do chassi: depois de reentelada, a obra é esticada sobre novo chassi e fixada com tachinhas de latão, que não enferrujam.

Nivelamento e reintegração cromática: se a tela perdeu pintura original, essas áreas são niveladas com massa de nivelamento. Depois, recebem pigmentos específicos para restauro, que podem ser retirados em um procedimento futuro.

Aplicação de verniz: as pinturas à óleo recebem a cobertura de verniz brilhante e fosco, especiais para obras restauradas. As têmperas não têm aplicação de verniz, para preservar sua característica opaca.

Moldura e fechamento do verso: a madeira da moldura é tratada contra insetos e com conservantes de madeira. O fundo da obra é fechado com placa de espuma sintética para maior segurança na movimentação e para reduzir o acúmulo de sujidades e os efeitos de alterações climáticas.