Obra

O Estado da Arte 40 anos de arte contemporânea no Paraná 1970-2010

artistas: Mostra Coletiva
curador: Artur Freitas e Maria José Justino
nº de obras: 150
local: Gauguin e Rembrandt

Inédita, a mostra pretende fazer um retrato da arte contemporânea no Paraná ao longo das últimas quatro décadas. As 150 obras, aproximadamente, dos 80 artistas integrantes desta coletiva são apresentadas em dois núcleos. Na sala intitulada Poéticas Transitivas, estão trabalhos produzidos entre os anos de 1970 e 1990, que refletem sobre as eventuais raízes históricas da visualidade contemporânea paranaense. A sala chamada de Expresso 2000 concentra-se na produção atual. Esta apresentação marca a culminância do projeto Artistas Paranaenses, desenvolvido pelo Museu, desde 2003, com o objetivo de exibir e divulgar a arte produzida no Estado.

Para alcançar a amplitude pretendida pelos curadores, na sala Poéticas Transitivas há alguns trabalhos históricos que foram reeditados, como de Luiz Carlos Rettamozo e do grupo Sensibilizar. Outra parte das obras deste núcleo foi emprestada de acervos públicos como o MON, o Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC), o Museu Metropolitano de Arte de Curitiba (MUMA) e o Museu da Gravura de Curitiba. Na sala ao lado, todas as obras são oriundas de coleções particulares. A exposição conta com o patrocínio da COPEL, SANEPAR, COMPAGAS, CAIXA e da Agência de Fomento e o apoio do Ministério da Cultura, do Governo do Paraná e da Fundação Cultural de Curitiba (FCC).

Mapeamento

“A diversidade poética e a falta de parâmetros estéticos rígidos são algumas das principais características da arte contemporânea”, define a crítica e historiadora da arte Maria José Justino, que assina a curadoria com Artur Freitas, também crítico e historiador de arte. E para exemplificar tal multiplicidade contemporânea, os curadores selecionaram obras produzidas nos mais diversos meios e suportes, “da pintura às ações urbanas, passando pelo vídeo, a fotografia, a instalação, a intervenção no espaço, o grafite, o objeto, a gravura e a escultura”.

Eles explicam que embora predominem artistas de Curitiba, foram ncluídos vários artistas que trabalharam ou ainda trabalham em outras cidades do Estado, como Maria Cheung, Letícia Marquez, Luiz Henrique Schwanke e Francisco Faria. “Esse mapeamento, claro, não tem a pretensão de esgotar o assunto, mas sim de sugerir caminhos para a interpretação da produção artística recente em nosso Estado, confrontando-a com algumas das principais questões poéticas da contemporaneidade. Trata-se, em síntese, de uma leitura possível sobre o assunto, e em hipótese nenhuma de uma leitura definitiva, até porque, em função do formato da exposição, muitos artistas importantes ficaram de fora.”

Artur Freitas também ressalta que no núcleo dedicado à produção atual, chamado de Expresso 2000, há trabalhos que foram realizados especialmente para esta mostra. Segundo ela, é o caso de obras assinadas por Cleverson Oliveira, Cleverson Salvaro, coletivo Interlux Arte Livre, Joana Corona, Rimon Guimarães e Rodrigo Dulcio, que prepararam intervenções realizadas diretamente no espaço expositivo. 

Reflexões Contemporâneas   

“Como ponto de partida geral dessa empreitada, fixamos o ano de 1970. Trata-se de uma data caprichosa, mas que no contexto desta mostra anuncia o início de uma década aberta a experimentações poéticas sem precedentes, ao menos no contexto paranaense”, afirma Artur Freitas. Ele lembra do momento inicial dos “irreverentes” Encontros de Arte Moderna, que no começo dos anos 1970, em plena repressão militar, “abriram caminho para as primeiras ações performáticas e intervenções urbanas no Estado.”

Maria José e Freitas explicam que também é o momento dos Objetos Caipiras, de João Osório Brzezinski, das primeiras instalações de Olney Negrão e das diversas situações experimentais propostas por artistas como Lauro Andrade, Rettamozo e Sérgio Moura. “Na década seguinte, com o processo lento e paulatino da redemocratização do país, a arte no Paraná apresenta ao menos duas linhas de força: de um lado, na contrapartida do conceitualismo dos anos 1970, a reafirmação dos chamados ‘suportes tradicionais’ (como a pintura neoexpressionista da geração 80 ou a gravura informalista produzida no Solar do Barão, em Curitiba); de outro, a ascensão dos primeiros grupos de artistas (que ainda chamavam-se ‘grupos’, e não ‘coletivos’), com destaque para oBicicleta, o Moto-contínuo e o Sensibilizar.” 

Na sequência dos acontecimentos, durante os anos 1990 e 2000, a pluralidade de formas, temas e meios da arte contemporânea, “acusa a diversidade” da nossa própria sociedade”.  Os curadores refletem que a aceleração dos pressupostos modernos nesta sociedade implica na “generalização do individualismo hedonista, no avanço da razão instrumental, no relativismo dos valores absolutos e na conseqüente desconfiança diante de toda narrativa universal, incluída a história da arte e, particularmente, a história das vanguardas”.

“Imersos nessa chave hipermoderna, assistimos a atualização de expedientes que já freqüentaram o coração de nossa modernidade estética. Do eterno retorno da pintura às intervenções no espaço expositivo, da arte urbana aos dispositivos de registro mais usuais como a fotografia e o vídeo, do corpo como obra às suas atuais derivações relacionais, temos na produção artística recente no Paraná um laboratório vivo –e ainda pouco divulgado –de algumas das principais questões estéticas de nosso tempo.”