Obra

John Graz

artistas: John Graz
curador: Consuelo Cornelsen, Sergio Pizoli, Sergio Campos
nº de obras: 180
local: Sala 05

Um dos mais influentes profissionais do modernismo no século 20, o suíço John Graz (1891-1980) marcou sua atuação e reconhecimento no Brasil como artista plástico, designer e arquiteto. A mostra exibe cerca de 180 obras, incluindo mobiliário, desenhos e pinturas. A exposição apresenta a visão de John Graz sobre o Brasil que escolheu para viver, a partir de 1920.  
A curadoria geral é assinada pela arquiteta Consuelo Cornelsen, que divide o trabalho com os curadores Sergio Pizzoli, responsável pela seleção de pinturas provenientes do Instituto John Graz, e com Sergio Campos, que cuidou da seleção de mobiliário. Com o apoio do Governo do Paraná, da Secretaria de Estado da Cultura e da CAIXA, são exibidas significativas pinturas como a “Chegada ao Brasil”, “Bandeirante”, “Menino com Caranguejos” e “Um miau tout simple: medaillé”. Entre as peças de mobiliário moderno há cadeiras, poltronas e sofás.

O destaque fica por conta das obras criadas pelo artista nos anos em que viveu no Brasil. O público terá contato com estudos, cadernos de viagem e esboços, por meio de desenhos modernistas do artista. Cenas da arquitetura brasileira, viagens, festas e paisagens, flora e fauna,  o homem e o trabalho. O Brasil de John Graz traz uma diversidade de técnicas e temas relacionados à visão modernista de um país tropical.

Obras  

Para Pizzoli, Graz fez do desenho artístico uma atividade permanente, elaborando séries de estudos que, muitas vezes, não chegaram a ser executados em tela ou mural, mas têm o requinte formal de obra acabada. “Seu trabalho plástico retoma o desenho clássico, incorpora a iconografia brasileira, assume e difunde as influências modernistas”, diz.

Outro traço marcante no trabalho de John Graz é a sua relação com o movimento. As personagens de suas pinturas e desenhos estão sempre em ação, por exemplo, os índios caçam, os cavalos galopam, os homens guerreiam, navegam ou simplesmente agem. Já de acordo com Campos, o artista procurou, dentro do espírito moderno, integrar as diversas manifestações da arte em seus projetos, e ficou conhecido como arquiteto de interiores, criador de móveis futuristas e introdutor do estilo art déco no Brasil.

“Na verdade, John Graz é muito maior que qualquer uma dessas definições. Já que o artista conseguiu unir arte, arquitetura e design em uma única linguagem plástica”, afirma Campos. Consuelo complementa com a análise de que o sensível artista John Graz adquiriu uma multiplicidade de talentos. “Ele pinta a realidade com uma essência emotiva, cenas que ele retrata a partir de seu interior. Desenhava como se escrevesse um poema, ao qual poderia ser lido em cada traço.”

John Graz
 
Suíço radicado no Brasil desde 1920, John Graz traz para o cenário das artes brasileiras as influências renovadoras dos movimentos europeus do século 20. Após sua formação artística na Escola de Belas Artes de Genebra, em 1911, onde cursou Arquitetura, Decoração e Desenho, viaja para Espanha. Suas obras lá produzidas impressionam Oswald de Andrade, que o convida a participar da Semana de Arte Moderna 1922, ao lado de nomes como Anitta Malfatti, Di Cavalcanti e Vicente do Rego Monteiro.

O artista é um dos fundadores da Sociedade Pró Arte Moderna (SPAM) e participa do Clube dos Artistas Modernos (CAM). Em 1925, inicia suas atividades como arquiteto e designer de interiores, dedicando-se por quase quarenta anos a este segmento profissional. Graz faleceu em 1980, aos 89 anos, deixando um acervo, ainda hoje inédito, com desenhos, estudos, plantas baixas, cadernos de viagem e de anotações, aos cuidados de Annie Graz, sua segunda esposa. Este acervo encontra-se, atualmente, sob a guarda do recém-fundado Instituto John Graz, presidido por Annie Graz.