Obra

Anjo e Boneco - Nuno Ramos

artistas: Nuno Ramos
curador: Nuno Ramos
nº de obras: 16
local: Sala 4

A mostra traz uma série de desenhos em larga escala, todos feitos em guache, carvão e pastel seco, e um quadro em grandes dimensões, feito com materiais diversos, produzido especialmente para a exposição no MON. 

O título da exposição é parte de um verso extraído da obra Elegias de Duíno de Rainer Maria Rilke – “Anjo e boneco: haverá espetáculo”. Nuno Ramos, ele próprio um escritor, inspira-se frequentemente na obra de outros poetas, escritores e compositores. Sua série de desenhos anteriores partia do famoso diário de memórias de Daniel Paul Schreber, e em Faca só Lâmina, uma série de desenhos sobre alumínio, Nuno utilizava versos extraídos de um poema de João Cabral de Melo Neto, para citar apenas alguns exemplos.

Porém, diferentemente de desenhos anteriores, o artista trabalha agora com poucos elementos e materiais. As composições são todas feitas com guache, carvão e pastel seco, apresentando em sua maioria apenas uma cor em contraste com o negro do carvão. Há formas geométricas combinadas com linhas gestuais, e o jogo entre as linhas e formas parece estar sempre à beira do desequilíbrio. Há uma expectativa do porvir e a composição nunca é estática. Nuno também incorpora escorridos e manchas, trazendo o acaso para o processo de criação.

Comum a quase a todos os desenhos, além do título da série, são diferentes versos, também extraídos da IV Elegia de Duíno de Rilke, impressos sobre o papel em letras de forma com carvão. “Junta-se o que sem cessar”, “Nossa existência separa” ou “Em algum lugar leões ainda” podem ser lidos entre as linhas, semicírculos e tinta, formando a composição. Ao extrair os versos de seu contexto original e incluí-los nos desenhos, Nuno explora a ressonância das palavras  em um contexto de abstração. 

Além disso, a exposição será marcada pelo retorno do artista a suas célebres pinturas, ou quadros-relevo de grandes dimensões, que não produzia há alguns anos. Caracterizados por uma potência de volume e uma agressividade de materiais ímpares, lançam-se fisicamente sobre o espectador, ao mesmo tempo que têm no chassis espelhado uma espécie de fundo infinito. Trazem ao trabalho deste artista tão marcado pelo tema da morte e do luto – que caracterizam diversas de suas melhores instalações (“111”, “Bandeira Branca”; “Morte das Casas”) – certo alívio e ambivalência. Pois é difícil tirar desses quadros sua característica explícita de euforia e, até mesmo, de um apelo à felicidade.

Biografia

Nuno Ramos nasceu em 1960, em São Paulo, onde vive e trabalha. Formou-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo em 1982. Artista plástico, compositor, cineasta e escritor, participou de diversas exposições coletivas e individuais, destacando-se recentemente: em 2012, O Globo da morte de tudo (em parceria com Eduardo Climachauska) na Galeria Anita Schwartz, Rio de Janeiro, Ai Pareciam Eternas! na Galeria Celma Albuquerque, Belo Horizonte e Solidão, Palavra no Sesc Pompéia, São Paulo; em 2010 Fruto Estranho no MAM, Rio de Janeiro; e a 29ª Bienal de São Paulo.  Publicou em 2011 seu oitavo livro, Junco, pela editora Iluminuras, vencedor do prêmio Portugal Telecom de Literatura na categoria poesia. Em 2008, venceu Prêmio Portugal Telecom para melhor livro do ano com Ó, também da Iluminuras.

Serie Anjo e Boneco 2 - Haveraespetaculo, 2013 | Guache e carvão sobre papel | 151 x 217 cm
Serie Anjo e Boneco 2 - Haveraespetaculo, 2013 | Guache e carvão sobre papel | 151 x 217 cm
Serie Anjo e Boneco 19 - O anjo brincara, 2013  | Guache e carvão sobre papel | 151 x 206 cm
Serie Anjo e Boneco 19 - O anjo brincara, 2013 | Guache e carvão sobre papel | 151 x 206 cm
Serie Anjo e Boneco 13 - Junta-se o que sem cessar / Nossa existencia separa, 2013  | Guache e carvão sobre papel | 151 x 214 cm
Serie Anjo e Boneco 13 - Junta-se o que sem cessar / Nossa existencia separa, 2013 | Guache e carvão sobre papel | 151 x 214 cm