A realização da mostra “África, Expressões Artísticas de um Continente” é a consolidação de um longo e criterioso processo que culminou com a chegada de uma das mais importantes e significativas coleções de arte africana contemporânea ao Museu Oscar Niemeyer (MON).

Esta exposição é um recorte da generosa doação de aproximadamente 1.700 obras de arte africana, fruto de uma parceria entre o MON e a Coleção Ivani e Jorge Yunes (CIJY), de São Paulo, cujas tratativas tiveram início há alguns anos e, felizmente, concretizaram um objetivo.

Um dos principais desafios na gestão do MON, atualmente o maior museu de arte da América Latina, é estar sempre em busca de incrementar o seu acervo. Segundo as diretrizes do Marco Referencial da instituição, este deve priorizar artes visuais, arquitetura e design, com ênfase em arte paranaense e brasileira, mas também expande a sua missão à formação de acervo de arte asiática, latino-americana e africana contemporânea. Desta forma, o Museu contrapõe-se ao padrão eurocêntrico e busca a equipolência nas coleções.

O interesse em trazer arte africana contemporânea ao acervo e, consequentemente, até o nosso público, nos levou a iniciar a tão frutífera conversa com a família Yunes, que há várias gerações se dedica às artes.

O diálogo intercultural com a África e sua arte é, sem dúvida, mais um passo importante para o MON na missão de expandir suas fronteiras.

Entendemos que um museu existe a partir do seu acervo, mas é da interação entre o público e suas obras que são disseminados cultura e conhecimento, bens que nos fazem mais humanos. Temos a certeza de que a grandiosa coleção de arte africana irá oferecer ao público experiências instigantes e engrandecedoras.

 

Juliana Vellozo Almeida Vosnika
Diretora-presidente
Museu Oscar Niemeyer

Ter, Manter e Partilhar: são esses os três eixos que norteiam a Coleção Ivani e Jorge Yunes (CIJY).

Ao olharem para o primeiro eixo, meus pais perceberam a oportunidade de concretizar o que eles chamavam de “vontade de mundo”.

Mundo, mundo, vasto mundo. É assim que defino a CIJY. Ao longo de 50 anos de trocas e aprendizados, ela se expandiu. Hoje é composta por peças que abarcam 22 séculos de história, cinco continentes, técnicas e suportes os mais diversos. Essa é a sua essência.

Entre os seus vários núcleos, o de arte africana tinha um lugar especial no horizonte: a construção de um museu que o abrigasse. Esse era um grande sonho de Ivani e Jorge.

De forma natural, assumi junto à minha mãe o compromisso de cuidar do segundo eixo da CIJY: Manter.

Vários desdobramentos como pesquisar, catalogar, restaurar e expor fazem parte do ato de colecionar. Que responsabilidade prazerosa cuidar desse pequeno vasto mundo!

Lembro-me de longas e saudosas conversas com meu pai, quando ele citava Panta Rei, de Heráclito: tudo flui, nada permanece igual. O universo é um eterno fluir.

Isso nos leva ao terceiro eixo da CIJY: Partilhar.

A passagem da nossa Coleção Afro, do seu âmbito privado, para o Museu Oscar Niemeyer muito nos honra e finalmente concretiza um antigo sonho.

Entre tantos aprendizados, o maior foi a certeza de que o colecionador tem uma biografia, enquanto os objetos têm muitas.

É na partilha da coleção com o público que a alquimia acontece. Novos diálogos, novas ressignificações, novos horizontes.

Que a arte da África possa nos levar para portos ainda desconhecidos. Panta Rei!

 

Beatriz Yunes Guarita
Coleção Ivani e Jorge Yunes

Transforme uma árvore em lenha que ela arderá; mas nunca mais lhe dará flores e frutos.

Rabindranath Tagore (1861-1941),

poeta bengali

A antiga metáfora da potência das árvores nunca foi tão adequada como quando associada às permanentes ligações com a nossa Mãe África. Se pensarmos então nas metáforas das gigantescas árvores baobá, desde as referências históricas mais severas associadas à escravidão pela “árvore do esquecimento” até as mais suaves pela famosa árvore de O Pequeno Príncipe, os aprendizados daí decorrentes seriam análogos: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, como disse Saint-Exupéry.

Estreitando laços institucionais, o Museu Oscar Niemeyer (MON) recebeu esta importante doação de obras africanas da Coleção Ivani e Jorge Yunes (CIJY). Ao longo de mais de 50 anos, o casal adquiriu obras que abrangem cinco continentes. Da áfrica, são 1.700 objetos doados ao acervo do Museu Oscar Niemeyer, o qual parabenizamos por ter dado esse passo oportuno, enriquecendo o seu acervo e, ao mesmo tempo, todo o legado africano no Paraná e no Brasil.

Com a exposição de objetos de heranças culturais tão distintas, encontramos aqui um importante ponto em comum: dentro do Museu, essas artes são elevadas a uma mesma plataforma artística, igualando a arte africana ao patamar da arte mundial. Eis uma maneira de honrar a ancestralidade visual do passado e de abrir os novos plantios, rotas e perspectivas dessa arte no futuro.

 

Renato Araújo da Silva
Curador e especialista em Arte Africana

A Copel tem a honra de apresentar a exposição “África, Expressões Artísticas de um Continente”, uma parceria do Museu Oscar Niemeyer (MON) com a Coleção Ivani e Jorge Yunes. A iniciativa reúne mais de 1.700 obras únicas da arte africana, como máscaras, esculturas, instrumentos musicais e objetos de uso cotidiano.

Coletadas ao longo dos últimos 50 anos, as peças refletem a diversidade da arte africana e ajudam a resgatar a história da própria humanidade, retratada em símbolos de culturas tão ricas e variadas como as dos povos igbo, baulê e iorubá. Refletindo a arte de países como Moçambique, Angola, Nigéria e Costa do Marfim, a exibição demonstra a importância da cultura africana no panorama artístico mundial e na formação da cultura brasileira.

A escolha do Museu Oscar Niemeyer como palco para esta exposição reconhece o trabalho que tem sido desenvolvido para transformar o museu numa referência internacional. Ao longo dos últimos anos, o MON vem se transformando em um espaço que valoriza a arte de todos os continentes. A exibição desta coleção africana dá ainda mais brilho ao trabalho de valorização da pluralidade artística. A isso se soma agora o paciente e dedicado trabalho de Ivani e Jorge Yunes, que construíram uma das maiores coleções de arte do Brasil.

Principal incentivadora da cultura no Paraná, a Copel tem orgulho em apoiar o MON em projetos que abrangem grandes exposições, nomes de representação na arte mundial e ações educativas. Somente em 2020, a Companhia apoiou mais de 100 projetos culturais em leis de incentivo estadual e federal. Maior empresa do Paraná, a Copel atua com tecnologia de ponta nas áreas de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia. Mais do que produzir energia, queremos também gerar e compartilhar cultura, educação e conhecimento.


Daniel Slaviero
Presidente da Copel